segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mercado terá reação positiva a Palocci na Casa Civil, diz HSBC

Em relatório, HSBC aposta em rally financeiro com Palocci. Qualquer comentário sobre Meirelles mexerá com investidores, diz banco

Aline Cury Zampieri, iG

Os mercados financeiros devem reagir favoravelmente a uma indicação de Antônio Palocci para ministro da Casa Civil ou da Fazenda. Em relatório desta segunda-feira, a área internacional de pesquisa do HSBC diz que o primeiro anúncio importante do novo governo será justamente a Casa Civil.
Segundo o banco, uma eventual escolha de Palocci para a vaga (há especulações de que ele possa comandar a Petrobras) será interpretada pelos agentes financeiros como um sinal de que a nova administração seguirá uma estratégia similar à do presidente Lula durante seu primeiro mandato, particularmente de uma mudança na política fiscal.


Outro nome que tem sido frequentemente citado para a vaga, diz o HSBC, é o de Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte (MG). “Nós vemos espaço para um rally nos mercados se Palocci ficar com a Casa Civil, mas mantemos um tom mais tímido se Pimentel ou outra pessoa assumir o cargo, a não ser que Palocci seja nomeado ministro da Fazenda.”

Para a Fazenda, o consenso é de que a primeira escolha de Dilma será Luciano Coutinho, presidente do BNDES, diz o HSBC. Entretanto, muitos acreditam que ele mesmo preferiria continuar onde está. Depois de Coutinho e Palocci, Guido Mantega aparece como um nome forte para continuar no cargo, sobretudo após sua boa performance nas intervenções da chamada guerra de moedas.

No que diz respeito ao Banco Central, a reposição de Henrique Meirelles está longe de confirmada, mas qualquer comentário nesse sentido deve mexer com os mercados, especialmente se a substituição for por uma pessoa que possa ser percebida como menos autônoma. Por enquanto, a visão majoritária é de que Meirelles continuará no cargo, pelo menos durante o primeiro ano de governo de Dilma Rousseff.

Controle de capital

A casa lembra que os investidores estrangeiros se assustaram com as recentes altas no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para transações financeiras. "Apesar de não acreditarmos que a taxação foi totalmente absorvida, o medo de mais medidas deve continuar a crescer no mercado. Nossa visão é de que, na falta de um ajuste fiscal forte, as taxas devem ficar altas e podem subir. Na ausência de novos anúncios, o dólar pode facilmente passar a negociar abaixo de R$ 1,70."