segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bradesco e Citi disputam banco de Silvio

Preço, condição favorável de crédito que cobriu buraco do PanAmericano e apego de empresário a bens travam negociação

Cadastro de 2,5 mi de clientes, sociedade com Caixa e rede são atrativos do banco, que tem rombo de R$ 2,5 bi

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

O Bradesco e o Citibank manifestaram a Silvio Santos que têm interesse em comprar já o Banco PanAmericano, segundo relato feito à Folha por executivos que participam das negociações.
O PanAmericano tem um rombo de R$ 2,5 bilhões e só não quebrou porque o Fundo Garantidor de Crédito, entidade privada que recebe recursos dos correntistas, emprestou esse mesmo valor à instituição no dia 9 de novembro do ano passado.
Bradesco e Citibank têm interesse no cadastro de 2,5 milhões de clientes do banco -estratégico pela concentração de consumidores das classes C e D-, na rede de 52 mil pontos de venda e na sociedade com a Caixa, que comprou 35,5% do capital do banco por R$ 739,2 milhões em novembro de 2009.
Nas negociações, Silvio tem relutado em se desfazer do banco. A resistência de Silvio tem duas explicações, de acordo com os negociadores: 1) o empréstimo de R$ 2,5 bilhões foi feito em condições tão excepcionais que nos dois primeiros anos o banco não precisará pagar nada; 2) Silvio não gosta de se desfazer dos seus bens.
O exemplo mais folclórico do apego de Silvio é que ele não vendeu até hoje a quitinete que comprou há 50 anos em São Vicente, no litoral paulista. O contraexemplo é a negociação em curso para a venda das 140 lojas do Baú da Felicidade.
Silvio disse a auxiliares não ver saída para o negócio do Baú a não ser a venda para uma rede do porte do Pão de Açúcar.

PREÇO ALTO
A relutância de Silvio em se desfazer do banco aparece quando se discute o preço, segundo a Folha apurou.
Nesse tipo de negociação, não se fala exatamente de valores em reais, mas de múltiplos em relação ao patrimônio líquido do banco.
O razoável, segundo negociadores com experiência em compra de bancos, seria pagar de 1,2 a 2,6 vezes o patrimônio líquido do PanAmericano -o chamado PL, como aparece nos balanços, é a soma dos bens de uma instituição (a rede de agências e prédios) com os direitos (contratos de créditos) menos as obrigações (dívidas, tributos e questões trabalhistas).
O problema número um é que ninguém sabe exatamente qual é o patrimônio líquido do banco de Silvio. A contabilidade do banco era manipulada para esconder o rombo a ponto de até agora a nova diretoria, que tomou posse junto com o empréstimo, não ter conseguido fechar o balanço de 2010.
O mais recente balanço trimestral divulgado pelo Pan- Americano, do segundo trimestre de 2010, traz um patrimônio líquido de cerca de R$ 1,6 bilhão. Se esse valor estiver correto, o PanAmericano valeria de R$ 2,6 bilhões a R$ 3,5 bilhões. Mas Silvio já pediu até cinco vezes o patrimônio líquido, o que corresponde a $ 8 bilhões.
O Bradesco, o Citibank e o PanAmericano não quiseram comentar as negociações. Os dois primeiros dizem não comentar rumores de mercado.