Por: Conrado Mazzoni Cruz
O sobe-e-desce que marcou os mercados brasileiros no primeiro semestre pegou muitos de surpresa. Aqueles que depositavam confiança em uma tendência positiva após a chegada do investment grade ao Brasil foram surpreendidos com o pior desempenho semestral da bolsa desde os primeiros seis meses de 2005.
No período, o Ibovespa acumulou alta de 1,77%, terminando no patamar dos 65.018 pontos. Em igual intervalo há três anos, a performance foi de queda de 4,3% Somente considerando o mês de junho, fundamental para a guinada negativa do mercado, o índice cravou expressiva desvalorização de 10,43%.
Depois da primeira promoção do País ao grupo dos países considerados bons pagadores de dívida, o principal índice acionário saiu de 67.868 pontos no fechamento de 30 de abril - data do anúncio da S&P - para 73.516 pontos, no dia 20 de maio, o décimo e último recorde de 2008.
De lá para cá, o que se viu foi uma sólida perda de fôlego da bolsa, abalada pela preocupação com o cenário inflacionário interna e externamente e novos sinais alarmantes a respeito da crise de crédito nos EUA e seus efeitos na economia real. Desde a sua maior pontuação na história, o Ibovespa já caiu 11,55%.
Histórico do Ibovespa
Câmbio e renda fixa
A turbulência na renda variável local, fortemente influenciada pela saída bruta de investidores estrangeiros, surtiu reflexos em outros elementos do mercado. Calculado pelo JP Morgan, o indicador risco-Brasil fechou o período a 230 pontos, o que corresponde a um avanço de 18 pontos, em relação aos 212 pontos referentes ao último dia útil de 2007.
Acompanhando a deterioração do quadro inflacionário doméstico e precificando o ciclo de alta no juro básico brasileiro, as taxas dos contratos de DI futuro negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) também traçaram trajetória ascendente nos primeiros seis meses de 2008. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, entre os líderes de liquidez, encerrou junho marcando taxa de 15,14%, enquanto ao final de 2007 a variação projetada era de 12,81%.
No mercado de câmbio prevaleceu a trajetória declinante. A moeda norte-americana encolheu de R$ 1,776 para R$ 1,597 no primeiro semestre, recuo de 10,08%. Desde a conquista do grau de investimento, a divisa vem renovando mínimas históricas registradas em 1999, mostrando que a tendência de depreciação verificada em 2007 - quando a baixa foi de 16,89% - será mantida em 2008.
A volta do aperto monetário no País pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) também solidifica ainda mais as perspectivas de maior apreciação cambial, uma vez que o alto diferencial entre o juro básico brasileiro e o estrangeiro propicia operações de arbitragem na renda fixa.
Diante do temor inflacionário, o Copom decidiu, em abril, elevar em 0,50 ponto percentual a taxa Selic. Foi o primeiro aumento desde maio de 2005. No início deste mês, o comitê optou por mais uma alta de 0,50 ponto percentual, deixando a taxa Selic no patamar de 12,25% ao ano.
Mercado internacional
Mudança na condução da política monetária também marcou o primeiro semestre nos EUA. Na semana passada, o Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de mercado aberto do Federal Reserve, manteve a taxa básica de juro norte-americana no patamar de 2,00% ao ano, também temendo o nível geral de preços.
Com isso, a autoridade encerrou a flexibilização monetária iniciada em setembro do ano passado, quando a crise do subprime irrompeu sobre o país. No primeiro semestre, Wall Street respondeu às pistas deixadas pelo Fed sobre a saúde da economia, diante de um quadro de inflação, alimentada pelos preços de combustíveis, e fraco crescimento.
Influenciado por tensões geopolíticas envolvendo grandes produtores no Oriente Médio e na África, o preço do petróleo subiu 46,04% nos primeiro seis meses do ano em Nova York, tendo ultrapassado os US$ 140 o barril. Enquanto os índices Dow Jones e S&P 500 acumularam desvalorização de 14,44% e 12,83%, respectivamente.
O sobe-e-desce que marcou os mercados brasileiros no primeiro semestre pegou muitos de surpresa. Aqueles que depositavam confiança em uma tendência positiva após a chegada do investment grade ao Brasil foram surpreendidos com o pior desempenho semestral da bolsa desde os primeiros seis meses de 2005.
No período, o Ibovespa acumulou alta de 1,77%, terminando no patamar dos 65.018 pontos. Em igual intervalo há três anos, a performance foi de queda de 4,3% Somente considerando o mês de junho, fundamental para a guinada negativa do mercado, o índice cravou expressiva desvalorização de 10,43%.
Depois da primeira promoção do País ao grupo dos países considerados bons pagadores de dívida, o principal índice acionário saiu de 67.868 pontos no fechamento de 30 de abril - data do anúncio da S&P - para 73.516 pontos, no dia 20 de maio, o décimo e último recorde de 2008.
De lá para cá, o que se viu foi uma sólida perda de fôlego da bolsa, abalada pela preocupação com o cenário inflacionário interna e externamente e novos sinais alarmantes a respeito da crise de crédito nos EUA e seus efeitos na economia real. Desde a sua maior pontuação na história, o Ibovespa já caiu 11,55%.
Histórico do Ibovespa
| Ano | Trimestre | % trimestre | % semestre | % ano |
| 2008 | 2T08 | +6,6 | +1,77 | - |
| 1T08 | -4,6 | |||
| 2007 | 4T07 | +5,7 | +17,4 | +43,7 |
| 3T07 | +11,2 | |||
| 2T07 | +18,7 | +22,3 | ||
| 1T07 | +3,0 | |||
| 2006 | 4T06 | +22,0 | +21,4 | +32,9 |
| 3T06 | -0,5 | |||
| 2T06 | -3,5 | +9,49 | ||
| 1T06 | +13,4 | |||
| 2005 | 4T05 | +5,9 | +33,5 | +27,7 |
| 3T05 | +26,1 | |||
| 2T05 | -5,9 | -4,3 | ||
| 1T05 | +1,6 |
Câmbio e renda fixa
A turbulência na renda variável local, fortemente influenciada pela saída bruta de investidores estrangeiros, surtiu reflexos em outros elementos do mercado. Calculado pelo JP Morgan, o indicador risco-Brasil fechou o período a 230 pontos, o que corresponde a um avanço de 18 pontos, em relação aos 212 pontos referentes ao último dia útil de 2007.
Acompanhando a deterioração do quadro inflacionário doméstico e precificando o ciclo de alta no juro básico brasileiro, as taxas dos contratos de DI futuro negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) também traçaram trajetória ascendente nos primeiros seis meses de 2008. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, entre os líderes de liquidez, encerrou junho marcando taxa de 15,14%, enquanto ao final de 2007 a variação projetada era de 12,81%.
No mercado de câmbio prevaleceu a trajetória declinante. A moeda norte-americana encolheu de R$ 1,776 para R$ 1,597 no primeiro semestre, recuo de 10,08%. Desde a conquista do grau de investimento, a divisa vem renovando mínimas históricas registradas em 1999, mostrando que a tendência de depreciação verificada em 2007 - quando a baixa foi de 16,89% - será mantida em 2008.
A volta do aperto monetário no País pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) também solidifica ainda mais as perspectivas de maior apreciação cambial, uma vez que o alto diferencial entre o juro básico brasileiro e o estrangeiro propicia operações de arbitragem na renda fixa.
Diante do temor inflacionário, o Copom decidiu, em abril, elevar em 0,50 ponto percentual a taxa Selic. Foi o primeiro aumento desde maio de 2005. No início deste mês, o comitê optou por mais uma alta de 0,50 ponto percentual, deixando a taxa Selic no patamar de 12,25% ao ano.
Mercado internacional
Mudança na condução da política monetária também marcou o primeiro semestre nos EUA. Na semana passada, o Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de mercado aberto do Federal Reserve, manteve a taxa básica de juro norte-americana no patamar de 2,00% ao ano, também temendo o nível geral de preços.
Com isso, a autoridade encerrou a flexibilização monetária iniciada em setembro do ano passado, quando a crise do subprime irrompeu sobre o país. No primeiro semestre, Wall Street respondeu às pistas deixadas pelo Fed sobre a saúde da economia, diante de um quadro de inflação, alimentada pelos preços de combustíveis, e fraco crescimento.
Influenciado por tensões geopolíticas envolvendo grandes produtores no Oriente Médio e na África, o preço do petróleo subiu 46,04% nos primeiro seis meses do ano em Nova York, tendo ultrapassado os US$ 140 o barril. Enquanto os índices Dow Jones e S&P 500 acumularam desvalorização de 14,44% e 12,83%, respectivamente.