terça-feira, 1 de julho de 2008

Saldo do sobe-e-desce no primeiro semestre do ano é o pior da bolsa desde 2005

Por: Conrado Mazzoni Cruz

O sobe-e-desce que marcou os mercados brasileiros no primeiro semestre pegou muitos de surpresa. Aqueles que depositavam confiança em uma tendência positiva após a chegada do investment grade ao Brasil foram surpreendidos com o pior desempenho semestral da bolsa desde os primeiros seis meses de 2005.

No período, o Ibovespa acumulou alta de 1,77%, terminando no patamar dos 65.018 pontos. Em igual intervalo há três anos, a performance foi de queda de 4,3% Somente considerando o mês de junho, fundamental para a guinada negativa do mercado, o índice cravou expressiva desvalorização de 10,43%.

Depoi
s da primeira promoção do País ao grupo dos países considerados bons pagadores de dívida, o principal índice acionário saiu de 67.868 pontos no fechamento de 30 de abril - data do anúncio da S&P - para 73.516 pontos, no dia 20 de maio, o décimo e último recorde de 2008.

De lá para cá, o que se viu foi uma sólida perda de fôlego da bolsa, abalada pela preocupação com o cenário inflacionário interna e externamente e novos sinais alarmantes a respeito da crise de crédito nos EUA e seus efeitos na economia real. Desde a sua maior pontuação na história, o Ibovespa já caiu 11,55%.

Histórico do Ibovespa

Ano Trimestre % trimestre % semestre % ano
2008 2T08 +6,6 +1,77 -
1T08 -4,6
2007 4T07 +5,7 +17,4 +43,7
3T07 +11,2
2T07 +18,7 +22,3
1T07 +3,0
2006 4T06 +22,0 +21,4 +32,9
3T06 -0,5
2T06 -3,5 +9,49
1T06 +13,4
2005 4T05 +5,9 +33,5 +27,7
3T05 +26,1
2T05 -5,9 -4,3
1T05 +1,6

Câmbio e renda fixa
A turbulência na renda variável local, fortemente influenciada pela saída bruta de investidores estrangeiros, surtiu reflexos em outros elementos do mercado. Calculado pelo JP Morgan, o indicador risco-Brasil fechou o período a 230 pontos, o que corresponde a um avanço de 18 pontos, em relação aos 212 pontos referentes ao último dia útil de 2007.

Acompanhando a deterioração do quadro inflacionário doméstico e precificando o ciclo de alta no juro básico brasileiro, as taxas dos contratos de DI futuro negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) também traçaram trajetória ascendente nos primeiros seis meses de 2008. O contrato com vencimento em janeiro de 2010, entre os líderes de liquidez, encerrou junho marcando taxa de 15,14%, enquanto ao final de 2007 a variação projetada era de 12,81%.

No mercado de câmbio prevaleceu a trajetória declinante. A moeda norte-americana encolheu de R$ 1,776 para R$ 1,597 no primeiro semestre, recuo de 10,08%. Desde a conquista do grau de investimento, a divisa vem renovando mínimas históricas registradas em 1999, mostrando que a tendência de depreciação verificada em 2007 - quando a baixa foi de 16,89% - será mantida em 2008.

A volta do aperto monetário no País pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) também solidifica ainda mais as perspectivas de maior apreciação cambial, uma vez que o alto diferencial entre o juro básico brasileiro e o estrangeiro propicia operações de arbitragem na renda fixa.

Diante do temor inflacionário, o Copom decidiu, em abril, elevar em 0,50 ponto percentual a taxa Selic. Foi o primeiro aumento desde maio de 2005. No início deste mês, o comitê optou por mais uma alta de 0,50 ponto percentual, deixando a taxa Selic no patamar de 12,25% ao ano.

Mercado internacional
Mudança na condução da política monetária também marcou o primeiro semestre nos EUA. Na semana passada, o Fomc (Federal Open Market Committee), comitê de mercado aberto do Federal Reserve, manteve a taxa básica de juro norte-americana no patamar de 2,00% ao ano, também temendo o nível geral de preços.

Com isso, a autoridade encerrou a flexibilização monetária iniciada em setembro do ano passado, quando a crise do subprime irrompeu sobre o país. No primeiro semestre, Wall Street respondeu às pistas deixadas pelo Fed sobre a saúde da economia, diante de um quadro de inflação, alimentada pelos preços de combustíveis, e fraco crescimento.

Influenciado por tensões geopolíticas envolvendo grandes produtores no Oriente Médio e na África, o preço do petróleo subiu 46,04% nos primeiro seis meses do ano em Nova York, tendo ultrapassado os US$ 140 o barril. Enquanto os índices Dow Jones e S&P 500 acumularam desvalorização de 14,44% e 12,83%, respectivamente.