Por: Arleu Anhalt
O dia 30 de abril será um marco na história econômica do Brasil pela conquista do "grau de investimento", com a nota BBB- , da agência de classificação de risco Standard & Poors. O caminho está aberto para as empresas que construírem os melhores fundamentos obterem a nota AAA, a melhor possível, dez degraus acima da concedida ao País.
A seqüência de fatos registrados pela imprensa após a concessão do grau de investimento ao Brasil e o conjunto de impactos esperados a médio e longo prazos acenam para excelentes oportunidades de negócios tanto para companhias abertas como para as empresas que cogitam abrir o capital. Por razões parecidas, mas seguindo passos distintos, tanto companhias abertas quanto fechadas têm pela frente um roteiro de etapas a cumprir para capturar o melhor que o novo ambiente pode oferecer.
Este momento permite prever com clareza e com mais probabilidade de acerto que daqui em diante haverá mais recursos e a custo mais baixo para maior número de empresas. Mas, para isso, não basta ter CNPJ. Muito ao contrário.
As companhias abertas certamente terão potencializadas as suas chances de acesso a recursos se aprimorarem seus processos de comunicação com a comunidade financeira. Mais confiança, menor percepção de risco, maior base de investidores, isso tudo associado a esforços de relacionamento com investidores tende a resultar em benefícios sem precedentes.
Já as empresas que se preparam para abrir o capital têm um longo caminho a percorrer, e é bom que comecem logo a planejar, identificar gaps em governança corporativa, ajustar a estratégia, aperfeiçoar a comunicação corporativa, comparar-se com seus pares no Brasil e no exterior, identificar vantagens comparativas, criar o investment case.
Nos dias que sucederam o 30 de abril, o mercado reposicionou suas projeções. A ponderação das estimativas de 12 corretoras de preços para as ações que compõem o Índice Bovespa para os próximos 12 meses levaram a CMA a projetar o indicador em 88.020 pontos, um potencial de alta de 24,85%. No dia 11 de abril, antes, portanto, do grau de investimento, a estimativa média para o Ibovespa estava em 86.400 pontos.
Com uma base cada vez maior de investidores, cada vez mais seletivos, as companhias de modo geral terão que fazer esforços adicionais para refinar as suas políticas e estratégias de relacionamento com o mercado. O peso da reputação corporativa tende a crescer diante de uma comunidade financeira mais exigente.
As equipes de relações com investidores das empresas serão tão mais bem sucedidas na busca do valor justo das ações quanto mais incorporarem ao seu trabalho a dimensão da imagem corporativa, bem mais abrangente que a tradicional, focada em números e no desempenho econômico e financeiro. A atividade de relações com investidores passa a ser cada vez parte essencial do posicionamento da empresa, e não peça isolada.
A mudança exige a integração de processos de comunicação destinados aos diferentes públicos - consumidores, clientes, acionistas, instituições financeiras, governo, funcionários - , assim como a medição e o monitoramento dos resultados desse trabalho, que devem servir como referências para o contínuo aperfeiçoamento do fluxo de informações da companhia com seus públicos.
Técnicas de inteligência de mercado hoje bem desenvolvidas e disponíveis no Brasil, como as que possibilitam a análise de peers e das bases de investidores, passam a ter relevância crescente como ferramentas para as companhias ampliarem a possibilidade de captar recursos mais abundantes e mais baratos no mercado.
O novo status do Brasil favorece a oferta de ações e abre espaço para que mais empresas brasileiras tenham acesso a crédito mais barato no exterior. Por isso, as que ainda precisam ajustar-se devem acelerar o passo porque os processos de preparação em geral demandam tempo. Quanto mais cedo estiveram preparadas, mais expostas estarão para capturar os benefícios do ambiente.
O movimento trará benefícios particularmente notáveis a empresas de menor porte, já que algumas das maiores já conquistaram a confiança dos investidores para captar recursos no mercado de capitais.
Em 2007 foram feitas no Brasil mais de 60 ofertas públicas iniciais (IPOs) e os estrangeiros compraram 75% dos lançamentos. Neste ano houve apenas três estréias até maio e com menos interesse do capital externo. A tendência é de expansão de oportunidades daqui para a frente. Os investidores estrangeiros, que mudaram tão radicalmente o patamar do mercado de ações no Brasil pela intensidade de suas aplicações, certamente serão muito influenciados pela nova classificação de risco do Brasil.
Conforme o porte, os resultados, a penetração no exterior e, sobretudo, ao grau de preparação para a abertura de capital, cada empresa conseguirá custos diferentes. A experiência tem mostrado que a adequada preparação faz diferença na valorização das ações. Do mesmo modo, as companhias que se empenharem na adequação às novas exigências do mercado certamente entrarão na rota do prêmio AAA.
Arleu Anhalt é presidente da FIRB, ex-presidente executivo e atual membro do conselho de administração do IBRI e escreve bimestralmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
arleu.anhalt@infomoney.com.br
O dia 30 de abril será um marco na história econômica do Brasil pela conquista do "grau de investimento", com a nota BBB- , da agência de classificação de risco Standard & Poors. O caminho está aberto para as empresas que construírem os melhores fundamentos obterem a nota AAA, a melhor possível, dez degraus acima da concedida ao País.
A seqüência de fatos registrados pela imprensa após a concessão do grau de investimento ao Brasil e o conjunto de impactos esperados a médio e longo prazos acenam para excelentes oportunidades de negócios tanto para companhias abertas como para as empresas que cogitam abrir o capital. Por razões parecidas, mas seguindo passos distintos, tanto companhias abertas quanto fechadas têm pela frente um roteiro de etapas a cumprir para capturar o melhor que o novo ambiente pode oferecer.
Este momento permite prever com clareza e com mais probabilidade de acerto que daqui em diante haverá mais recursos e a custo mais baixo para maior número de empresas. Mas, para isso, não basta ter CNPJ. Muito ao contrário.
As companhias abertas certamente terão potencializadas as suas chances de acesso a recursos se aprimorarem seus processos de comunicação com a comunidade financeira. Mais confiança, menor percepção de risco, maior base de investidores, isso tudo associado a esforços de relacionamento com investidores tende a resultar em benefícios sem precedentes.
Já as empresas que se preparam para abrir o capital têm um longo caminho a percorrer, e é bom que comecem logo a planejar, identificar gaps em governança corporativa, ajustar a estratégia, aperfeiçoar a comunicação corporativa, comparar-se com seus pares no Brasil e no exterior, identificar vantagens comparativas, criar o investment case.
Nos dias que sucederam o 30 de abril, o mercado reposicionou suas projeções. A ponderação das estimativas de 12 corretoras de preços para as ações que compõem o Índice Bovespa para os próximos 12 meses levaram a CMA a projetar o indicador em 88.020 pontos, um potencial de alta de 24,85%. No dia 11 de abril, antes, portanto, do grau de investimento, a estimativa média para o Ibovespa estava em 86.400 pontos.
Com uma base cada vez maior de investidores, cada vez mais seletivos, as companhias de modo geral terão que fazer esforços adicionais para refinar as suas políticas e estratégias de relacionamento com o mercado. O peso da reputação corporativa tende a crescer diante de uma comunidade financeira mais exigente.
As equipes de relações com investidores das empresas serão tão mais bem sucedidas na busca do valor justo das ações quanto mais incorporarem ao seu trabalho a dimensão da imagem corporativa, bem mais abrangente que a tradicional, focada em números e no desempenho econômico e financeiro. A atividade de relações com investidores passa a ser cada vez parte essencial do posicionamento da empresa, e não peça isolada.
A mudança exige a integração de processos de comunicação destinados aos diferentes públicos - consumidores, clientes, acionistas, instituições financeiras, governo, funcionários - , assim como a medição e o monitoramento dos resultados desse trabalho, que devem servir como referências para o contínuo aperfeiçoamento do fluxo de informações da companhia com seus públicos.
Técnicas de inteligência de mercado hoje bem desenvolvidas e disponíveis no Brasil, como as que possibilitam a análise de peers e das bases de investidores, passam a ter relevância crescente como ferramentas para as companhias ampliarem a possibilidade de captar recursos mais abundantes e mais baratos no mercado.
O novo status do Brasil favorece a oferta de ações e abre espaço para que mais empresas brasileiras tenham acesso a crédito mais barato no exterior. Por isso, as que ainda precisam ajustar-se devem acelerar o passo porque os processos de preparação em geral demandam tempo. Quanto mais cedo estiveram preparadas, mais expostas estarão para capturar os benefícios do ambiente.
O movimento trará benefícios particularmente notáveis a empresas de menor porte, já que algumas das maiores já conquistaram a confiança dos investidores para captar recursos no mercado de capitais.
Em 2007 foram feitas no Brasil mais de 60 ofertas públicas iniciais (IPOs) e os estrangeiros compraram 75% dos lançamentos. Neste ano houve apenas três estréias até maio e com menos interesse do capital externo. A tendência é de expansão de oportunidades daqui para a frente. Os investidores estrangeiros, que mudaram tão radicalmente o patamar do mercado de ações no Brasil pela intensidade de suas aplicações, certamente serão muito influenciados pela nova classificação de risco do Brasil.
Conforme o porte, os resultados, a penetração no exterior e, sobretudo, ao grau de preparação para a abertura de capital, cada empresa conseguirá custos diferentes. A experiência tem mostrado que a adequada preparação faz diferença na valorização das ações. Do mesmo modo, as companhias que se empenharem na adequação às novas exigências do mercado certamente entrarão na rota do prêmio AAA.
Arleu Anhalt é presidente da FIRB, ex-presidente executivo e atual membro do conselho de administração do IBRI e escreve bimestralmente na InfoMoney, às quintas-feiras.
arleu.anhalt@infomoney.com.br