Por: Nathália A. Terra Pereira
O fôlego da trajetória declinante do dólar comercial parece não ter fim. A despeito das incertezas que ainda se abatem acerca do setor financeiro e da economia norte-americana, a divisa constantemente supera novas mínimas, tendo atingido na última sexta-feira (16) R$ 1,642, seu menor patamar desde janeiro de 1999.
À parte de ser um fenômeno global - o dólar também vem trilhando contínua desvalorização frente a outras moedas do mundo, sendo a principal delas, o euro -, a melhora nos fundamentos macroeconômicos brasileiros, com uma política monetária mais transparente, inflação controlada e contas externas em dia, vem justificando o expressivo ingresso de capitais no País.
Investment grade
Nesse sentido, a conquista do tão sonhado investment grade veio apenas consolidar tal cenário propício ao fortalecimento do real. A promoção eleva a atratividade brasileira ao capital estrangeiro - tanto para os financeiros quanto para os físicos - o que contribuiu nas últimas sessões para uma ampliação do movimento de queda da moeda norte-americana.
E na visão de Reginaldo Galhardo, analista da Treviso Corretora de Câmbio, o grau de investimento ainda não surtiu metade dos efeitos que lhe cabem. Isto porque a grande maioria dos fundos estrangeiros ainda espera pela concessão do seleto rating por parte de outra grande agência de classificação de risco para então investir no mercado brasileiro.
No que depender de especulações que tomaram o mercado nas últimas sessões, tal cenário não deverá demorar muito para se instalar, uma vez que a agência Fitch também estaria próxima de elevar o Brasil ao investment grade. "Desta forma, a moeda brasileira deverá se apreciar ainda mais no segundo semestre do ano", prevê Galhardo.
Fundo soberano
De fato, tudo indica que o dólar comercial ainda dispõe de muito espaço para maiores quedas ao longo deste ano. O início de um período de aperto monetário no Brasil pelo Copom (Comitê de Política Monetária) solidifica ainda mais as perspectivas de maior apreciação cambial, uma vez que o diferencial entre o juro básico brasileiro e o estrangeiro propicia operações de arbitragem, como explica Sidnei Nehme, da NGO Corretora de Câmbio.
Quem também não acredita em um término da desvalorização do dólar é o governo. Prova disso é a criação do fundo soberano, anunciado por Guido Mantega na semana passada. Embora Mantega tenha negado que o principal objetivo do fundo seja conter a decaída da moeda norte-americana, é inegável que a questão cambial vem gerando grande desconforto entre a equipe econômica do presidente Lula.
Mas a operação não deve surtir grande efeito sobre o recuo do dólar. Além das incertezas sobre como ficarão as atribuições de interferir no câmbio, antes praticamente de incumbência do Banco Central e que agora poderão passar a ser somente do Tesouro, é fato notório que, mesmo quando a autoridade monetária agia de forma expressiva comprando dólares no mercado, a divisa dos EUA prosseguia desvalorizando-se.
Desta forma, os fundamentos que pendem para o lado da continuidade da desvalorização do dólar se sobrepõem a quaisquer intervenções do governo sobre o mercado. "O fundo soberano pode enxugar um pouco o mercado, mas nada que alivie em muito o fortalecimento da moeda brasileira", afirma Galhardo.
R$ 1,50 ao final de 2008
A divisa norte-americana deve seguir cotada em torno de R$ 1,66, segundo projeções do mercado expressas no relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. Por sua vez, Miriam Tavares, diretora da corretora de câmbio AGK, aposta em um dólar oscilante entre os patamares de R$ 1,62 e R$ 1,64, em leitura compartilhada por Galhardo.
Isto no curto prazo, uma vez que com o advento da conquista de um segundo grau de investimento, a moeda pode encerrar o ano de 2008 com uma cotação histórica de R$ 1,50, de acordo com o analista da Treviso.
O fôlego da trajetória declinante do dólar comercial parece não ter fim. A despeito das incertezas que ainda se abatem acerca do setor financeiro e da economia norte-americana, a divisa constantemente supera novas mínimas, tendo atingido na última sexta-feira (16) R$ 1,642, seu menor patamar desde janeiro de 1999.
À parte de ser um fenômeno global - o dólar também vem trilhando contínua desvalorização frente a outras moedas do mundo, sendo a principal delas, o euro -, a melhora nos fundamentos macroeconômicos brasileiros, com uma política monetária mais transparente, inflação controlada e contas externas em dia, vem justificando o expressivo ingresso de capitais no País.
Investment grade
Nesse sentido, a conquista do tão sonhado investment grade veio apenas consolidar tal cenário propício ao fortalecimento do real. A promoção eleva a atratividade brasileira ao capital estrangeiro - tanto para os financeiros quanto para os físicos - o que contribuiu nas últimas sessões para uma ampliação do movimento de queda da moeda norte-americana.
E na visão de Reginaldo Galhardo, analista da Treviso Corretora de Câmbio, o grau de investimento ainda não surtiu metade dos efeitos que lhe cabem. Isto porque a grande maioria dos fundos estrangeiros ainda espera pela concessão do seleto rating por parte de outra grande agência de classificação de risco para então investir no mercado brasileiro.
No que depender de especulações que tomaram o mercado nas últimas sessões, tal cenário não deverá demorar muito para se instalar, uma vez que a agência Fitch também estaria próxima de elevar o Brasil ao investment grade. "Desta forma, a moeda brasileira deverá se apreciar ainda mais no segundo semestre do ano", prevê Galhardo.
Fundo soberano
De fato, tudo indica que o dólar comercial ainda dispõe de muito espaço para maiores quedas ao longo deste ano. O início de um período de aperto monetário no Brasil pelo Copom (Comitê de Política Monetária) solidifica ainda mais as perspectivas de maior apreciação cambial, uma vez que o diferencial entre o juro básico brasileiro e o estrangeiro propicia operações de arbitragem, como explica Sidnei Nehme, da NGO Corretora de Câmbio.
Quem também não acredita em um término da desvalorização do dólar é o governo. Prova disso é a criação do fundo soberano, anunciado por Guido Mantega na semana passada. Embora Mantega tenha negado que o principal objetivo do fundo seja conter a decaída da moeda norte-americana, é inegável que a questão cambial vem gerando grande desconforto entre a equipe econômica do presidente Lula.
Mas a operação não deve surtir grande efeito sobre o recuo do dólar. Além das incertezas sobre como ficarão as atribuições de interferir no câmbio, antes praticamente de incumbência do Banco Central e que agora poderão passar a ser somente do Tesouro, é fato notório que, mesmo quando a autoridade monetária agia de forma expressiva comprando dólares no mercado, a divisa dos EUA prosseguia desvalorizando-se.
Desta forma, os fundamentos que pendem para o lado da continuidade da desvalorização do dólar se sobrepõem a quaisquer intervenções do governo sobre o mercado. "O fundo soberano pode enxugar um pouco o mercado, mas nada que alivie em muito o fortalecimento da moeda brasileira", afirma Galhardo.
R$ 1,50 ao final de 2008
A divisa norte-americana deve seguir cotada em torno de R$ 1,66, segundo projeções do mercado expressas no relatório Focus divulgado nesta segunda-feira. Por sua vez, Miriam Tavares, diretora da corretora de câmbio AGK, aposta em um dólar oscilante entre os patamares de R$ 1,62 e R$ 1,64, em leitura compartilhada por Galhardo.
Isto no curto prazo, uma vez que com o advento da conquista de um segundo grau de investimento, a moeda pode encerrar o ano de 2008 com uma cotação histórica de R$ 1,50, de acordo com o analista da Treviso.