Por: Roberto Altenhofen Pires Pereira
Recordes atrás de recordes, temor inflacionário, bolha especulativa. Tais tópicos remetem diretamente à disparada recente do preço do petróleo, que, para alguns economistas, já assume o rótulo de principal ameaça aos mercados.
Mas esta disparada vem cercada de dúvidas. A razão da alta de preços passa por diversas premissas que jogam a natural relação entre oferta e demanda para segundo plano.
Além da forte influência da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) - a força das "gigantes" petrolíferas sobre o mercado - o uso da commodity como hedge às variações cambiais ou apenas uma reação dos investidores às expectativas de ganhos são explicações constantes no vocabulário dos analistas.
O verdadeiro culpado
Entre este retrato, a questão-chave deixa de relacionar projeções futuras de preço ou os impactos da alta sobre a inflação como um todo. Agora, a dúvida maior é a quem atribuir esta disparada. Quem é o verdadeiro culpado pelas altas?
A partir da resposta virão outras conclusões importantes. Primeiro deve-se encontrar o maior responsável pelo direcionamento do mercado, para posterior avaliação de suas características atuais e potencial futuro de influência sobre os preços.
Oferta e demanda...
A análise da disparada de preços relaciona a possibilidade de bolha, em que um mercado apresenta excedente de oferta frente à demanda, sempre subestimado.
Os exemplos mais conhecidos remetem à bolha tecnológica, em que companhias do setor com baixo faturamento passaram a lançar uma infinidade de ações, ou à bolha do segmento de construção civil norte-americano, que ofertou um quantidade de imóveis bem superior à que o mercado poderia absorver.
Algumas evidências afastam esta possibilidade do mercado de petróleo. A despeito das expectativas de enfraquecimento da atividade econômica em nível global, a demanda de alguns países do bloco emergente apresenta taxas exponenciais de crescimento, e não encontra avanço produtivo significativo por parte das grandes companhias do setor.
Matéria publicada recentemente pelo Wall Street Journal aponta para outra direção, com projeções da Agência Internacional de Energia de que o equilíbrio do mercado tende a apresentar falha pelas próximas duas décadas, mas com a demanda sobrepujando em cerca de 10% a oferta do produto. Ponto para a "relação natural" da escassez da commodity sobre a disparada dos preços.
...ou bolha especulativa?
Mas esta impressão não está sozinha. Basta avaliar a reação dos investidores às perspectivas de alta. Com o petróleo em evidência, é consenso que grande parte dos contratos futuros da commodity negociados no mercado internacional operam volumes muito além da necessidade de consumo ou oferta do investidor em questão.
Esta afirmação traz à tona o caráter especulativo atrelado à alta. Para se ter uma idéia, projeções do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs já vislumbram o barril de petróleo acima dos US$ 200 em prazo de dois anos. Com crescentes apostas de valorização dos contratos, o investidor vai em busca dos ganhos.
Outro tópico que isola a commodity da relação oferta/demanda é seu uso como proteção às variações cambiais, em especial ao enfraquecimento do dólar frente às principais divisas internacionais. A procura pelo petróleo como hedge à desvalorização da moeda tem presença constante nas explicações diárias de analistas do movimento dos contratos, e também remete ao caráter especulativo do mercado.
As possibilidades são muitas, e o preço a cada dia testa novos patamares recordes. Já é realidade o barril acima de US$ 130, e os desdobramentos ao equilíbrio econômico, como um todo, tendem a ser pesados. O problema em identificar o "verdadeiro culpado" pela disparada é que, entre tantos fatores, ele provavelmente é híbrido.
Recordes atrás de recordes, temor inflacionário, bolha especulativa. Tais tópicos remetem diretamente à disparada recente do preço do petróleo, que, para alguns economistas, já assume o rótulo de principal ameaça aos mercados.
Mas esta disparada vem cercada de dúvidas. A razão da alta de preços passa por diversas premissas que jogam a natural relação entre oferta e demanda para segundo plano.
Além da forte influência da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) - a força das "gigantes" petrolíferas sobre o mercado - o uso da commodity como hedge às variações cambiais ou apenas uma reação dos investidores às expectativas de ganhos são explicações constantes no vocabulário dos analistas.
O verdadeiro culpado
Entre este retrato, a questão-chave deixa de relacionar projeções futuras de preço ou os impactos da alta sobre a inflação como um todo. Agora, a dúvida maior é a quem atribuir esta disparada. Quem é o verdadeiro culpado pelas altas?
A partir da resposta virão outras conclusões importantes. Primeiro deve-se encontrar o maior responsável pelo direcionamento do mercado, para posterior avaliação de suas características atuais e potencial futuro de influência sobre os preços.
Oferta e demanda...
A análise da disparada de preços relaciona a possibilidade de bolha, em que um mercado apresenta excedente de oferta frente à demanda, sempre subestimado.
Os exemplos mais conhecidos remetem à bolha tecnológica, em que companhias do setor com baixo faturamento passaram a lançar uma infinidade de ações, ou à bolha do segmento de construção civil norte-americano, que ofertou um quantidade de imóveis bem superior à que o mercado poderia absorver.
Algumas evidências afastam esta possibilidade do mercado de petróleo. A despeito das expectativas de enfraquecimento da atividade econômica em nível global, a demanda de alguns países do bloco emergente apresenta taxas exponenciais de crescimento, e não encontra avanço produtivo significativo por parte das grandes companhias do setor.
Matéria publicada recentemente pelo Wall Street Journal aponta para outra direção, com projeções da Agência Internacional de Energia de que o equilíbrio do mercado tende a apresentar falha pelas próximas duas décadas, mas com a demanda sobrepujando em cerca de 10% a oferta do produto. Ponto para a "relação natural" da escassez da commodity sobre a disparada dos preços.
...ou bolha especulativa?
Mas esta impressão não está sozinha. Basta avaliar a reação dos investidores às perspectivas de alta. Com o petróleo em evidência, é consenso que grande parte dos contratos futuros da commodity negociados no mercado internacional operam volumes muito além da necessidade de consumo ou oferta do investidor em questão.
Esta afirmação traz à tona o caráter especulativo atrelado à alta. Para se ter uma idéia, projeções do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs já vislumbram o barril de petróleo acima dos US$ 200 em prazo de dois anos. Com crescentes apostas de valorização dos contratos, o investidor vai em busca dos ganhos.
Outro tópico que isola a commodity da relação oferta/demanda é seu uso como proteção às variações cambiais, em especial ao enfraquecimento do dólar frente às principais divisas internacionais. A procura pelo petróleo como hedge à desvalorização da moeda tem presença constante nas explicações diárias de analistas do movimento dos contratos, e também remete ao caráter especulativo do mercado.
As possibilidades são muitas, e o preço a cada dia testa novos patamares recordes. Já é realidade o barril acima de US$ 130, e os desdobramentos ao equilíbrio econômico, como um todo, tendem a ser pesados. O problema em identificar o "verdadeiro culpado" pela disparada é que, entre tantos fatores, ele provavelmente é híbrido.