segunda-feira, 9 de junho de 2008

Abrazpe estima que decreto das ZPEs possa ser publicado até setembro

"Senado aprovou na quarta (04/06) isenção fiscal para empresas das
Zonas de Processamento de Exportação. Para presidente da Associação
Brasileira de ZPEs, governo pode regulamentar lei em até três meses.
Unidades devem começar a produzir em 2009.

O Senado Federal aprovou na noite desta quarta (04/06) o Projeto de
Lei de Conversão (PLV) nº 15/08, que regulamenta a isenção de impostos
para empresas autorizadas a operar em Zonas de Processamento de
Exportação (ZPEs). O projeto surgiu com a Medida Provisória nº 418/08,
criada pelo governo federal para alterar a Lei nº 11.508/07, que trata
do regime tributário, cambial e administrativo dessas áreas de exportação.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Zonas de
Processamento de Exportação (Abrazpe), Helson Cavalcante Braga, houve
resistência a alguns mecanismos da Lei 11.508/07, que acabaram vetados
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do ano passado.
Para obter um acordo, a Abrazpe, que coordenou nacionalmente a
confecção e o trâmite da lei, enfrentou um "processo duro, complicado"
com os parlamentares.

O consenso saiu em fevereiro de 2008. "A Medida Provisória completa
buracos dessa lei", comenta Braga. O projeto elaborado a partir da MP
e aprovado pelos senadores elimina o pagamento de sete impostos e
contribuições em suas importações ou aquisições no mercado interno de
bens e serviços – ele também modificou a Lei nº 8.256/91 para criar
áreas de livre comércio nos municípios de Boa Vista e Bonfim, em Roraima.

A lista de isenção de taxas inclui o Imposto de Importação, Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e sua versão para o
Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior
(Cofins-Importação), Contribuição para o Pis/Pasep e a versão para
importação, e Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante.

As empresas das ZPEs podem aplicar os benefícios na aquisição de bens
e serviços a serem incorporados ao patrimônio delas. Elas só podem
importar com isenção equipamentos e materiais que serão utilizados na
implementação da estrutura ou no processo produtivo. O Projeto de Lei
de Conversão nº 15/08 também permite que as empresas vendam até 20% de
sua produção no mercado interno, mas neste caso a isenção não é válida.

Na opinião do presidente do Abrazpe, o PLV significa a consolidação de
itens voltados para investimentos em exportação. "Na essência, a
legislação atual sintetiza e consolida alguns mecanismos fiscais e
cambiais que já existem, mas estavam dispersos em leis distintas",
comenta. A nova lei "reúne e turbina" tudo em um único documento, além
de garantir essas regras por 20 anos – e elas podem ser prorrogadas.

Helson Braga explica que agora há "etapas a serem cumpridas
paralelamente" para colocar as Zonas de Processamento de Exportação em
funcionamento: o projeto deve ser convertido em lei, mecanismos
precisam ser detalhados em decreto do Poder Executivo e existem
questões a serem resolvidas com a Receita Federal e o Banco Central.

Outro ponto necessário é a recriação de um conselho de ministros e de
uma secretaria-executiva de apoio técnico-administrativo, que foram
extintos durante o mandato presidencial de Fernando Henrique Cardoso.
"O ministro Miguel Jorge já está tomando essas providências", conta
Braga, que elogiou a preocupação do titular do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em relação às ZPEs.

Ele acrescenta que o ministro enviou há dois meses uma minuta à Casa
Civil para resolver a composição do conselho das ZPEs e um documento
ao Ministério do Planejamento para tratar da reabertura dos cargos da
extinta secretaria-executiva, que foram redistribuídos – dez vagas
seriam necessárias. "Já houve avanços nessas duas questões", garante o
presidente da Abrazpe.

Braga afirma acreditar que todas essas etapas possam ser resolvidas em
até três meses. "É perfeitamente possível", declara. "Com isso, seria
encerrado o grosso do marco regulatório". Caso a regulamentação ocorra
dentro desse prazo, as companhias poderiam começar a se instalar nas
Zonas de Processamento de Exportação a partir da metade do segundo
semestre de 2008. A operação e produção, contudo, iniciaram no ano que
vem.

Para o presidente da Abrazpe, é difícil estimar o impacto futuro das
ZPEs sobre as exportações brasileiras, pois não se sabe ainda o
potencial produtivo delas. No momento, existem 17 zonas de
processamento – 13 foram criadas nos anos 80 e as outras na década
seguinte.

Por questões regulatórias, nenhuma delas chegou a operar até agora e
só quatro chegaram a concluir a estrutura: Rio Grande (RS), Imbituba
(SC), Teófilo Otoni (MG) e Araguaína (TO). A única etapa que falta a
elas é o alfandegamento por parte da Receita Federal. Em relação às
demais ZPEs, Helson Braga explica que várias tiveram que readaptar os
projetos.

Nos casos de Suape (PE) e João Pessoa (PB), as áreas originalmente
previstas não estão mais disponíveis. Outros estados resolveram trocar
de cidade também por causa da área e questões logísticas e ambientais.
Na lista de mudanças, estão Rio de Janeiro (de Itaguaí para Caxias),
Ceará (de Maracanaú para Pecém) e Maranhão (de São Luís para Bacabeira).

Além das duas ZPEs criadas nessa semana para Roraima, mais quatro
estados ganharão sua primeira unidade (São Paulo, Paraná, Alagoas e
Amapá) e outros três receberão a segunda (Rio de Janeiro, Piauí e Rio
Grande do Norte)."

Por Rodrigo Brüning Schmitt