quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

China: pacotes de estímulo podem compensar desaquecimento externo

Quando a crise financeira começou a se aprofundar, havia quem defendesse que os países emergentes se sobressairiam, atenuando os impactos negativos de restrição de crédito. A China, que encabeçava as esperanças, se mostrou, porém, muito penalizada a partir do segundo semestre de 2008.

Conforme ressaltou o BBVA, a forte queda da demanda externa desacelerou o crescimento chinês nos três últimos meses do ano para 6,8% em comparação com o forte avanço do PIB (Produto Interno Bruto) de 9% apresentado no terceiro trimestre. Ainda assim, o país teve a taxa mais alta de crescimento anual entre as principais economias mundiais, de 9%.

O setor industrial foi destacado pelos analistas como um dos mais afetados. A produção industrial teve avanço anual de somente 6,4% no quarto trimestre, forte desaquecimento frente aos 13% do trimestre anterior. O motivo foi a brusca freada das exportações, devido ao aprofundamento da atividade econômica nos EUA e na União Européia.

Comércio exterior
Em dezembro, as exportações chinesas se contraíram 2,8% frente ao mesmo período de 2007. O impacto nas importações foi maior ainda, já que o total teve retração anual de 21,3%, fazendo com que o superávit comercial se mantivesse consideravelmente alto, na visão do BBVA.

"A forte contração da demanda externa, o aumento dos salários e a apreciação da moeda chinesa conduziram a uma redução das exportações. Está previsto que o crescimento das exportações continue desacelerando em 2009", reforçou.

Resposta do governo
Para a equipe, a resposta do governo chinês à brusca deterioração das condições econômicas e financeiras veio rapidamente com pacote de estímulo fiscal de 4 bilhões de reminbis em novembro visando impulsionar gastos com infraestrutura e reanimar o setor imobiliário, juntamente com plano de reforma sanitária.

"Esta reforma, junto com outras pendentes nos sistemas de educação e segurança social, contribuirá para reduzir as iniciativas de poupança preventiva dos consumidores chineses e ajudará a reequilibrar a economia", afirmou.

Perspectiva otimista
O BBVA manteve sua perspectiva de que o PIB chinês cresça cerca de 8,1% em 2009, valor que considera próximo ao potencial do país. A equipe ressaltou que sua projeção está acima do consenso de mercado por acreditar que as medidas governamentais tomadas poderão compensar a falta de demanda externa.

Além disso, é prevista uma maior estabilidade financeira, uma vez que o setor público assumiu grande parte das perdas de crédito na Europa e nos EUA.

Os analistas salientaram, porém, que há um risco de que os pacotes desequilibrem ainda mais a estrutura econômica chinesa e não favoreçam um crescimento sustentável. Também há a preocupação de que a crise se aprofunde ainda mais, penalizando as exportações e aumentando o desemprego em 2009, o que poderia trazer instabilidade e tensões sociais.