terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Avança produtividade do trabalho no campo

Assis Moreira | De Genebra
07/12/2010

A produtividade do trabalho agrícola no Brasil foi a que mais cresceu entre os países em desenvolvimento no período 1988-2008, confirmando a pujança do país nesse setor globalmente.

O crescimento foi de 123,7%, com o valor agregado por agricultor pulando de US$ 1.435 para US$ 2.311 em vinte anos.

Em comparação, a produtividade do agricultor na Argentina subiu 60,9%. O valor agregado por trabalhador passou de US$ 6.690 para US$ 10.762.

Os dados são do Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (Fida), das Nações Unidas, publicados em relatório sobre a pobreza rural em cerca de 120 países.

No mesmo período, a China registrou aumento de produtividade agrícola de 81,6%. O valor agregado por agricultor passou de US$ 237 para US$ 430. Na Índia, a alta foi de 27,3%, indo de US$ 316 para US$ 402. No México, a produtividade cresceu 32,2%, passando de US$ 2.132 para US$ 2.821.

Em 20 anos, a população rural declinou 22% no Brasil, pelas estimativas da Fida, ficando em 27,6 milhões de pessoas no fim de 2008. Na Argentina, a queda foi de 30%, para 3,2 milhões. Na China, o recuo foi de 12%, e a população rural ficou em 754 milhões de pessoas. O fundo estima que melhoras nos últimos dez anos tiraram mais de 350 milhões de pessoas da pobreza nas áreas rurais. Isso correu principalmente na Ásia, sobretudo na China.

Conforme o Fida, no Brasil o percentual de população vivendo com US$ 1,25 por dia declinou dramaticamente, de 17,7% para 5,2% no período 1988-2008.

Mas o baixo nível de vida persiste entre 70% da população rural de 1,4 bilhão de pessoas nos países em desenvolvimento. A pobreza é "alarmante" em partes da África.

O fundo vinculado à ONU levanta recursos para promover projetos agrícolas nos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, seu presidente, o nigeriano Kanayo Nwanze, acaba de ser acusado de usar dinheiro público. Um jornal italiano descobriu que ele morava num palacete com aluguel de US$ 17 mil por mês, comparado aos US$ 8 mil pagos pelo seu antecessor, o sueco Lennart Båge.